.: Coração de Pescador
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[ 12 07 2010 ]
Cresce a produção de peixe em hidrelétrica
 
Criação em cativeiros no mar e nos lagos de usinas já representa 1/3 de todo o pescado.

Além da eletricidade, as represas das usinas hidrelétricas estão gerando um subproduto: pescados em cativeiro. Mais exatamente, tilápias, também conhecidas como Saint Peter''s fish, o peixe de São Pedro, por supostamente terem sido objetos do milagre da multiplicação.


A aposta do governo é que, no médio prazo, esses reservatórios se convertam numa nova fronteira de produção de alimentos no País, como ocorreu no cerrado nos anos 1970.

A pesca extrativa atingiu seu limite no mundo inteiro e a aquicultura é a alternativa para garantir o abastecimento. Atualmente, metade do pescado consumido no mundo vem de criatórios. No Brasil, a aquicultura em mar e represas responde por 33% da produção, que está na casa de 1,2 milhão de toneladas.

Pequenos produtores e empresas de médio porte já exploram as águas de usinas como Itaipu (PR), Furnas (MG), Três Marias (MG), Ilha Solteira (SP) e Tucuruí (PA). Há, porém, investidores de porte de países como China, Noruega e Chile atentos ao potencial do País.

"Se a gente quisesse, era estalar os dedos e teríamos investimentos estrangeiros fortes em aquicultura", disse ao Estado Felipe Matias, secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do Ministério da Pesca. "Mas não queremos expandir a produção de forma desordenada." Ele observou que, sem a devida cautela, há risco de as áreas de exploração nos reservatórios ficarem concentradas nos grandes produtores. "Aí, daqui a dez anos teríamos de fazer a "reforma aquária"." A estratégia do governo é, primeiro, mapear a capacidade produtiva das represas. Cerca de R$ 20 milhões estão sendo investidos nesses levantamentos, que vão mostrar onde poderão ser concedidas as licenças, de que tamanho e para produzir quanto. Nas áreas já estudadas, a ocupação vem sendo feita gradativamente. A maior parte das cerca de 4 mil concessões já oferecidas foi para pequenas famílias.

O primeiro edital convidando empresários de médio porte a explorar os reservatórios das hidrelétricas será lançado esta semana, dando oportunidade a empresas que atualmente já produzem regularizarem sua situação. Em Ilha Solteira estão duas áreas da GeneSeas, que comercializa sob a marca Tilly. Ambas estão em processo de legalização, segundo informou Tito Livio Capobianco. Ele pretende implantar uma terceira área de engorda na mesma represa. A GeneSeas abateu 5 mil toneladas de peixes em 2009, 30% a mais do que no ano anterior. Um quarto da produção foi exportada.

No reservatório da hidrelétrica de Itaparica (PE), a empresa espanhola Pescanova produz tilápias em caráter experimental, segundo informou Elias Cordeiro, diretor técnico da subsidiária no Brasil. Ela tem planos de investir R$ 60 milhões em duas novas áreas em Furnas e Três Marias, que vão ser oferecidas em licitação nos próximos meses.

Também em Pernambuco, a Netuno abateu 8 mil toneladas de tilápias no ano passado, dos quais 5% foram para a França e os Estados Unidos. "A exportação é pequena porque o dólar não é favorável, mas queremos manter a porta aberta", disse o vice-presidente da empresa, Hugo Campos Bahamondes. Há planos de expandir a produção a 60 mil toneladas até 2016. A Netuno tem áreas de engorda em Itaparica e em Moxotó (PE) e uma fábrica de processamento em Paulo Afonso (BA).

Mão amiga
Para Matias, do Ministério da Pesca, a transferência tecnológica é fundamental para os estrangeiros pretendentes a aquicultores no País. "Os chineses têm mil anos de experiência. Temos 30."



Fonte: Estadão

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