.: Coração de Pescador
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[ 06 07 2010 ]
Criação de cacharas em tanque rede tem resultados positivos
 
Avaliar a produtividade e sustentabilidade do cultivo de cacharas em tanques rede no Pantanal é o principal objetivo do projeto de piscicultura desenvolvido pela Embrapa na “Unidade Demonstrativa de Produção de cachara em Tanques Rede no Pantanal”, instalada no rio Bracinho, um braço do rio Paraguai, na cidade de Ladário - MS.

Para atingir este objetivo, estudos sobre o melhoramento genético da espécie, estruturação da cadeia produtiva do pescado, além do fomento à criação com políticas públicas que permitam a inserção do pescador profissional em uma nova atividade econômica, estão sendo realizados.

Doze gaiolas, dispositivos feitos com tela de arame galvanizado e revestidos em PVC de alta aderência, para garantir a resistência na água, foram instaladas nas águas do rio Paraguai, com diferentes números de exemplares por tanque.

Segundo o pesquisador responsável pelo projeto, Flávio Lima Nascimento, a idéia é encontrar uma densidade de estocagem sustentável para proporcionar essa atividade à população “trabalhamos com três densidades de estocagem: 60 90 e 120 peixes por metro cúbico. Cada gaiola tem quatro metros cúbicos o que totaliza 240, 360 e 480 de peixes por gaiola, o que representa 4.200 peixes, no experimento”, explica o pesquisador.

Iniciado em junho de 2009, o cultivo do pescado teve a duração de 9 meses, devido a uma particularidade da região pantaneira: o fenômeno da Decoada – que provoca deterioração da qualidade da água dos rios e, consequentemente, a mortandade de peixes, fazendo com que o período de cultivo dure em torno de 9 a 10 meses, a cada ano.

Durante a pesquisa foi realizado, também, todo um acompanhamento da produtividade de peixe, de ganho de peso em relação à quantidade de ração consumida, variação do nível e da qualidade da água, influências das plantas aquáticas e possíveis predadores no cultivo, além das interferências no meio ambiente. O objetivo deste acompanhamento é observar os possíveis impactos ambientais de um cultivo de peixes no rio e a viabilidade econômica desta produção.

Segundo o pesquisador, as primeiras avaliações desse trabalho são positivas. “Pois os exemplares estão crescendo e ganhando peso. Os peixes retirados na despesca, que entraram com cerca de 80 gramas, atingiram em média 900g”. As conclusões sobre toda a pesquisa só serão feitas após o encerramento do projeto, previsto para janeiro de 2011.

Após a despesca os pescados foram doados para instituições das cidades de Corumbá e Ladário, por meio de parcerias com prefeituras e organizações comunitárias. “O objetivo das parcerias é aproveitar 100% dos peixes doados. Os filés dos peixes estão sendo aproveitados em projetos de culinária e as vísceras e os ossos servirão como matéria prima para farinha. A doação visa fazer com que o aproveitamento do peixe continue após a fase final do projeto da Embrapa. Estamos destinando esses animais para projetos posteriores, que com certeza terão um ótimo aproveitamento, assim como tivemos”, frisou Flávio.

O projeto de pesquisa é desenvolvido em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) a Piscicultura Piraí e a Colônia Z-1. Flávio lembrou que a escolha do Cachara para criação em cativeiro, está vinculado ao projeto Rede AquaBrasil: O Projeto em Rede “Aquabrasil: Bases Tecnológicas para o Desenvolvimento da Aquicultura no Brasil” financiado pela Embrapa e pelo MPA e que tem o objetivo de desenvolver pesquisas que promovam um grande salto tecnológico na aquicultura elevando a sustentabilidade do ponto de vista econômico, social e ambiental, para a cadeia produtiva das principais espécies cultivadas na aqüicultura no Brasil.. A Embrapa Pantanal lidera as ações com o Cachara.

Foto: Divulgação
Fonte: MS Notícias

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