.: Coração de Pescador
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[ 12 05 2010 ]
ONU alerta sobre a relação entre destruição de biodiversidade e economia
 
Se for em nome do desenvolvimento que o Espírito Santo está aprovando grandes projetos em áreas de relevante importância ambiental, definitivamente estamos na contramão do que é aconselhável seguir. Segundo a Organi (Organização Nacional das Nações Unidas), mudanças irreversíveis nos ecossistemas tornarão estes ambientes inúteis à humanidade, afetando, portando, a sua economia.

O relatório da ONU, publicado pela BBC Brasil, reforça o que mais de 17 ONGs capixabas veem tentando alertar no norte do Estado. Na região, o estaleiro naval da Jurong recebeu aval do governo do Estado para construir em área de relevante importância ambiental; onde há a presença de espécies de fauna endêmicas (que só existem naquela região do planeta); a área que abriga 44 espécies endêmicas da Mata Atlaântica; entre outros atributos.

Para a aprovação, o governo do Estado, através do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), ignorou o laudo dos seus técnicos contrário à instalação do empreendimento na região.

A região abriga a Hippocampus reidi Ginsgurg (espécie de cavalo-marinho), figurante na Lista Estadual da Fauna Ameaçada de Extinção; seis espécies de flora ameaçadas de extinção no Estado (categoria vulnerável) e uma espécie de flora na lista nacional de espécies ameaçadas. Além disso, a área pleiteada pelo empreendimento é a única do Espírito Santo em que ocorre uma vegetação de restinga com aquelas características fitofisionômicas e tamanho estado de conservação, associada a uma parte marinha igualmente relevante e conservada.

Uma vez destruída, aponta o laudo técnico do Iema, o impacto é praticamente irreversível. Isso porque a taxa de mortalidade de mudas para a recuperação é de 40%.

Além da pesca artesanal, utilizada como meio de subsistência da comunidade da região; as oportunidades de valorização do uso turístico da região, associado a produtos e serviços decorrentes ou motivadas pela criação de Unidades de Conservação (UCs) propostas há anos para a região, serão impactadas com a construção do estaleiro.

Para a ONU, iniciativas como estas, que comprometem os ecossistemas do planeta devem começar a afetar as economias de vários países nos próximos anos. O Terceiro Panorama Global de Biodiversidade (Global Biodiversity Outlook ou GBO-3, na sigla em inglês) afirma que vários ecossistemas podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis. Entre estas mudanças estariam o desaparecimento rápido de florestas, a proliferação de algas em rios e a morte generalizada de corais.

Em cifrões, só a destruição de florestas até o momento pode representar uma perda de até US$ 5 trilhões na economia mundial, um número maior do que os prejuízos causados pela recente crise econômica mundial.

O cálculo foi feito com base nos valores estipulados em um projeto chamado Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (EEB) para serviços prestados pela natureza, como a purificação da água e do ar, a proteção de regiões litorâneas de tempestades e a manutenção da natureza para o ecoturismo.

Segundo os ambientalistas, é necessário alertar a sociedade sobre o papel fundamental dos ecossistemas no funcionamento da vida e que, sem a biodiversidade, não é possível a reversão.

Segundo a ONU, é bom lembrar que o planeta possui, hoje, seis bilhões de pessoas e passará, até 2050, para nove bilhões de pessoas. E que, quanto maior for a degradação, maior será o risco de que elas percam sua utilidade para o homem.

Além dos casos que podem ser citados no Estado, como a construção do estaleiro da Jurong em área que deveria ser reservada à preservação ambiental, um dos principais exemplos de destruição da biodiversidade pode ser assistido na Amazônia, que, mesmo com as recentes taxas de diminuição do desmatamento, corre o risco de ter fragmentos entrando em um ciclo de desaparecimento agravado por problemas como as mudanças climáticas.

A informação da ONU é de que o mundo vem perdendo biodiversidade em um ritmo nunca visto antes na História. As taxas de extinção podem estar até mil vezes acima da taxa histórica, informou a ONU.

A variedade de vertebrados no planeta - uma categoria que abrange mamíferos, répteis, pássaros, anfíbios e peixes -, por exemplo, caiu cerca de um terço entre 1970 e 2006.
Fonte: Século Diário - Flávia Bernardes

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