.: Coração de Pescador
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[ 02 09 2009 ]
Especialista caça fóssil vivo nas profundezas do oceano
 
‘Paleodictyon nodosum’ nunca foi capturado por um cientista.
Busca pela criatura inspirou filme, em 2003.

Há 33 anos Peter Rona persegue um animal antigo e fugidio. Várias vezes ele mergulha mais de três quilômetros no leito turvo do Atlântico Norte em busca de sua presa. Como o obcecado capitão Ahab, de “Moby Dick”, ele nunca obtém sucesso. Apesar do acesso ao melhor equipamento do mundo de exploração em grandes profundezas, ele sempre volta de mãos vazias.

O animal não é nenhuma baleia branca. E Rona não é Ahab, mas um ilustre oceanógrafo da Universidade Rutgers. Ele agora conseguiu chamar a atenção com um novo relatório de pesquisa, escrito em parceria com uma equipe de doze colegas.

Eles juntaram evidências suficientes para provar que sua presa científica – um organismo um pouco maior que uma ficha de pôquer – representa um dos mais antigos fósseis vivos do mundo, talvez o mais antigo. Os ancestrais da criatura, chamada Paleodictyon nodosum, remontam ao nascimento da vida complexa. Pensava-se que a criatura, conhecida por fósseis, tinha sido extinta há cerca de 50 milhões de anos.

A longa busca o deixa frustrado? “Não”, responde Rona enquanto mostra indícios do animal em rochas sedimentares de 50 milhões de anos. “É a ciência. É trabalho de detetive. Trata-se de juntar uma pista atrás da outra.”

Ainda assim, Rona diz esperar ansioso poder um dia capturar uma das criaturas vivas. “Acho que é provável”, diz, “se conseguirmos realizar os mergulhos”. Rona, autoridade em assuntos do mar profundo, gosta de se espremer num minúsculo submersível e mergulhar no abismo.
Leva-se mais de 2 horas para descer até onde vive a criatura, a mais de 3 km de profundidade

Leva-se mais de duas horas para descer até onde vive a criatura, a mais de três quilômetros de profundidade. A estabilidade ambiental desse mundo – incluindo sua pressão esmagadora e escuridão gélida – significa que alguns de seus habitantes mais famosos sobreviveram por várias eras como obstáculos evolucionários – seus organismos passaram por pouca mudança. Por exemplo, os lírios do mar, animais marinhos com braços emplumados, datam de mais de 400 milhões de anos.

Rona descobriu que o P. nodosum prolifera-se em áreas restritas do leito do Atlântico. Sua única característica visível consiste em pequenos buracos dispostos em padrões de seis lados que se parecem, curiosamente, com as copas dos tabuleiros de damas chinesas. Ele fotografou milhares dos hexágonos e descobriu que os grandes têm 200 ou 300 buracos.

A incapacidade de Rona de capturar a criatura significa que, apesar de os cientistas terem dado um nome ao fóssil, eles ainda debatem vigorosamente sobre o que seria a criatura. A principal questão é se os padrões hexagonais são tocas do bicho ou partes de seu corpo – residências vagas ou restos animais.

Outros detetives do fundo do mar que compartilham a fascinação de Rona com o P. nodosum podem ser encontrados em Yale e no Woods Hole Oceanographic Institution, em Cape Cod, assim como em instituições na França, Canadá e Reino Unido.

“Ele tem o impulso da curiosidade”, testemunha Adolf Seilacher, paleontólogo de Yale e coautor do novo artigo. Ele fez seu primeiro contato com Rona, para discutir a criatura, há três décadas. “Os verdadeiros cientistas, naturalistas, são extremamente curiosos.”

Seilacher acrescentou que o P. nodosum era um animal incomum, especialmente porque os muitos buracos na superfície de sua residência se ligam por baixo num labirinto de túneis subterrâneos. “Não se trata de qualquer fóssil, mas uma demonstração de uma forma de vida muito complexa”, afirma. “É um edifício em construção, um comportamento que faz com que esse animal erga esse sistema de galerias. É um estilo de vida muito, muito antigo.”

De carona em missões de alta prioridade, Rona conseguiu visitar as águas turvas várias vezes, realizando mergulhos em 1990, 1991, 1993, 2001 e 2003. No último, ele e Seilacher foram juntos. A colaboração os tornou improváveis estrelas de cinema. Em 2003, a Imax lançou “Volcanoes of the Deep Sea”, sobre a caça dos cientistas ao fóssil vivo.

O mergulho de Rona e Seilacher, em 2003, produziu uma evidência sólida que finalmente relacionou o animal ao P. nodosum. O braço robotizado do submersível Alvin dirigiu uma mangueira que esguichou água num arranjo hexagonal de buracos, lentamente removendo camadas de lama. A delicada operação rapidamente revelou um arranjo hexagonal de túneis abaixo da superfície idênticos aos do fóssil.

Rona fala empolgado sobre novos mergulhos no mundo negro do Paleodictyon, e também sobre a possibilidade de fixar uma câmera remota no leito oceânico, que tentaria capturar o antigo sobrevivente enquanto ele cresce e interage com seu ambiente escuro. “É uma janela excepcional para o passado”, diz. “Agora precisamos resolver o mistério sobre o que ela é. Precisamos obter um espécime.”




Fonte: William J. Broad Do ‘New York Times’

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